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Dólar e Ibovespa avançam com leilão do BC e trégua no Oriente Médio no radar


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (6) em leve queda, de 0,13%, cotado a R$ 4,9058, mas mudou de direção ao longo da manhã, após atuação do Banco Central (veja mais abaixo). Por volta das 13h40, a moeda subia 0,20%, a R$ 4,9217.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,75% no mesmo horário, aos 188.146 pontos.
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▶️ Os preços do petróleo caem nesta quarta-feira com a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. Sinais de manutenção do cessar-fogo e declarações de Donald Trump sobre avanços nas negociações diminuíram o risco de um conflito maior entre os dois países.
🔎 Por volta das 8h (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent era negociado próximo de US$ 98, em queda de 11,60%. Às 10h09, o recuo havia perdido força, mas ainda era de 5,47%, com o preço a US$ 103,83. Já o WTI caía 11,93%, cotado a US$ 89,13.
▶️Esse movimento acontece junto com a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota do petróleo mundial e um dos pontos centrais do atual coflito. Nesta manhã, autoridades do Irã afirmaram que a navegação voltou a ser segura após a suspensão de operações militares dos EUA na região.
▶️ Na agenda do dia, o destaque foi a divulgação de dados do setor de serviços no Brasil, que subiu de 50,1 em março para 52,3 em abril. À tarde, será publicado o fluxo cambial semanal, indicador que mostra a entrada e saída de dólares no país.
▶️ Ainda por aqui, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou do programa “Bom dia, Ministro” e disse que o governo estuda incluir crédito para informais e ampliar o Desenrola para quem está em dia, mas paga juros altos, com possível lançamento nas próximas semanas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,80%;
Acumulado do mês: -0,80%;
Acumulado do ano: -10,51%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,30%;
Acumulado do mês: -0,30%;
Acumulado do ano: +15,91%.
Intervenção do BC faz dólar subir
Durante a manhã, o dólar abriu em queda, acompanhando um cenário externo mais tranquilo, e chegou a ser cotado na faixa de R$ 4,90. Ao longo do início do dia, porém, o movimento perdeu força e a moeda passou a oscilar sem uma direção clara.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, esse comportamento reflete a incerteza no cenário internacional, especialmente em relação à guerra no Irã. “O dólar opera sem direção muito definida após o alívio da sessão de ontem, de olho nos desdobramentos da guerra no Irã”, afirma.
Segundo a especialista, apesar de o ambiente externo indicar maior disposição ao risco neste momento, parte do movimento recente da moeda também está ligada à atuação do Banco Central. Nesse contexto, ela avalia que ajustes nas cotações ao longo do dia são esperados.
“É natural alguma correção pontual, dado que o ambiente continua incerto.”
Pouco antes das 9h30, a autarquia realizou um leilão de 10 mil contratos de swap reverso — uma operação no mercado futuro, onde são negociados contratos com base no preço do dólar —, com montante equivalente a US$ 500 milhões.
🔎 Esse tipo de leilão funciona como se o BC estivesse “comprando dólar” nesse mercado futuro. Isso tende a puxar os preços desses contratos para cima.
Como esse mercado é o mais movimentado e serve de referência, o efeito acaba se espalhando e influencia também o dólar “de verdade”, negociado à vista, fazendo a cotação subir.
Outro ponto importante é que, desta vez, o BC não vendeu dólares no mercado à vista ao mesmo tempo — uma estratégia que costuma suavizar esse impacto. Ao atuar apenas no mercado futuro, o efeito de alta ficou mais evidente.
Mas por que o Banco Central faria isso? Em alguns momentos, a autoridade monetária pode ter interesse em evitar uma queda muito forte do dólar.
💱 Isso porque uma moeda americana mais barata pode trazer efeitos indesejados, como desestimular exportações ou gerar movimentos bruscos no mercado financeiro.
🏛️ Ao atuar, o BC busca reduzir oscilações mais intensas e manter um certo “equilíbrio” nas cotações.
Trégua no Oriente Médio
Os investidores acompanham a possibilidade de um acordo entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Embora ainda não haja confirmação oficial, há sinais de avanço nas negociações.
Segundo a Reuters, os países estão próximos de firmar um acordo inicial mais simples, com cerca de uma página. O Irã analisa os termos e deve responder nas próximas 48 horas.
Entre os principais pontos em discussão estão:
suspensão temporária do programa nuclear iraniano;
redução das sanções impostas pelos EUA;
liberação de recursos iranianos bloqueados no exterior;
diminuição das restrições à navegação no Estreito de Ormuz.
A ideia é que esse acordo inicial consolide a trégua e abra um prazo de cerca de 30 dias para negociações mais amplas. Nesse período, tanto as limitações impostas pelo Irã quanto o bloqueio naval dos EUA seriam reduzidos gradualmente — podendo ser retomados caso não haja avanço.
O cenário ganhou força após Donald Trump anunciar a suspensão de uma operação militar de escolta a navios, que não conseguiu normalizar o fluxo e elevou as tensões.
Mais cedo, o Irã afirmou que o Estreito de Ormuz voltou a ser seguro para navegação. A rota, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, vinha operando com restrições desde o início do conflito, com cerca de 1.500 embarcações aguardando passagem.
O movimento ajudou a derrubar os preços do petróleo, em meio à redução das tensões.
🔎 Com menos risco de conflito e rotas funcionando normalmente, a oferta de petróleo no mercado aumenta — o que ajuda a derrubar os preços.
Apesar do avanço diplomático, o acordo ainda não foi fechado e enfrenta incertezas, como divergências internas no Irã e o risco de retomada do conflito.
Mercados globais
Os índices futuros em Wall Street operavam em alta nesta quarta-feira, refletindo a expectativa de um possível acordo de paz entre EUA e Irã, além do otimismo com o avanço da inteligência artificial.
Por volta das 8h40 (horário de Brasília), o futuro do S&P 500 subia 0,82%. Já o Nasdaq avançava 1,42%, enquanto o Dow Jones registrava alta de 0,89%.
Na Europa, o movimento também era positivo. No mesmo horário, o índice STOXX 600 subia 2,61%, aos 625,64 pontos. Entre as principais bolsas, o DAX, de Frankfurt, avançava 2,97%; o FTSE 100, de Londres, ganhava 2,48%; e o CAC 40, de Paris, tinha alta de 3,24%.
Na Ásia, os mercados da China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados por conta de feriados locais, o que reduz o volume de negociações na região.
Notas de real e dólar
Amanda Perobelli/ Reuters